quarta-feira, junho 24, 2009

Prêmio Nobel de Física fala sobre a energia sustentável do próximo milênio



( Carlo Rúbia (à esq.) - USP, jun/2009. Foto: RRaele)

Tive o prazer de assistir o colóquio "Tecnologia Energética Sustentável: Um Olhar Prospectivo" com Prof. Dr. Carlo Rúbia - Universidade de Pavia, Itália - sobre geração de energia sustentável. Ele falou das novas tecnologias que virão, em particular sobre as usinas solares de "melted salt" (sal derretido) e das usinas nucleares movidas a Tório, que trabalham o conceito de fissão nuclear em conjunto com um acelerador de partículas. O Resultado? As usinas solares de sal derretido são muito mais baratas e eficientes, com um tempo de implantação de oito meses (já estão funcionando na Espanha) e as usinas nucleares de Tório geram muito menos lixo atômico - além do lixo atômico possuir um decaimento radioativo muito mais rápido.

domingo, junho 14, 2009

Conferência em São Paulo: O etanol brasileiro por Bill Clinton


(fonte: www.ethanolsummit.com.br)

No primeiro dia deste mês (01/06/2009) ocorreu em SãoPaulo o maior evento do setor produtivo de biocombustíveis, o Ethanol Summit 2009. A UNICA - União Nacional da Indústria da Cana-de-Açúcar promoveu uma conferência internacional para discutir o papel do etanol no Brasil e no mundo. Falaram mais de 90 palestrantes durante os três dias de evento. Para encerrar o primeiro dia, a UNICA convidou o ex-presidente norte americano, Bill Clinton, para dar uma pelestra. Eu gravei o audio do pronunciamento. Segue abaixo o audio para quem quiser ouvir o que o Bill Clinton pensa do nosso bom e velho Pró-Ácool.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

O Concreto do Som

Fervem ruídos na metrópoloe.


Em ruas pequenas
motocicletas estouradas
anunciam a pressa.

Amassadas.

Na funilaria
os compressores assopram
e a mangueira chia
Feito uma serpente vulcanizada.

São Paulo tem árvores...
E pássaros que gritam com tudo isso...

E pessoas silenciosas,
quietas, incapazes de dizer frente ao som de tudo.

A luz não tem som.
Hoje faz sol.

Mas a luz e o calor mudam a impressão de todos os sons,
sem mudá-los.

Há saudade no barulho que esmorece quando os caminhões se afastam...

Uma casa velha com um jardim. Roseira vermelha.

Silêncio?

Não.

As plantas fazem um barulho mágico enquanto crescem.
E a sua seiva corre ao som de seu pulso, e seu pulso bate,
feito um coração surdo e verde.

Outro dia, noutra casa,
Um violeiro violava seu violão
com os dedos.

Num ato ingênuo do campo.
Em plena metrópole.

E o vizinho do violeiro trabalhava.
E martelava cadências.

E o vizinho do vizinho esguichava com mangueira,
lavando seu carro no portão de casa. Ato de pequeno mundo.

O mundo dele é do tamanho de uma sala e uma família.
E um quintal.

Em outra casa, eco de vozes e uma escada de concreto. Que desce. Muito.
Nela um eco sobe.

Eco no concreto
som concreto
em parede volúvel de areia que se ouve nos dedos.

Pixação.

Uma borboleta amarela passa no cenário de um muro fudido e pixado.

Silêncio.

O som das asas de uma borboleta.
Caminhão.
Quem será capaz de ouví-la?

Meus passos.
Não os ouço.
Os ouço.

Um ônibus passa...
Rangendo seu chacoalhar
O som do metal no metal
fala sobre as coisas do ferro e seu óxido.

Um operário amassa papel,
e o papel fala da sua ânsia de ser escrito,
mesmo sendo de embalagem industrial.

E o freio do pequeno carro assovia.
Ópera de lona.

Não há metafísica na pastilha.
Não há metafísica no meu poema.

A Kombi balbucia uma canção que faz chover milhares de ônibus laranja...

Sangue de diesel
Música escura,
Um grito mudo de preso,

Som de bueiro.
Som da boca do bueiro.

Submundo de sussuros 
ocultos...

Sem brilho e luar,
um inferno de lodo,
do bueiro sai uma voz:

"Eu te recebo e te escancaro"

E os bancos financeiros
e sua alegria numérica,
estéril, alegria calculada em equações.

Bolsa de valores. E seus gritos desesperados,
sua vaidade e ambição,
seu som taquicardíaco,
monitores de cristal líquido...
Cristal líquido, sangue do dinheiro,

Dai-vos a droga dormente dos alaúdes noturnos!

Dai-vos o canto das cascatas artificiais?
(não há perguntas em uma oração)

E as igrejas cinzas

e a beleza dos sinos de bronze,
Rugido de um espírito forjado no metal.

terça-feira, novembro 25, 2008

Poema sobre o som do Mar

No cheiro do mar sinto o sal da liberdade.
Perfume de água com essência de pedra.

O gosto do sangue transparente do mundo.

e seu som,
vasto como um trovão e tranqüilo como um cochicho,
Forte, e mais leve que a sombra de uma concha,
Mais leve que a sombra da espuma,
mais leve que a sombra da luz.

Som que acalma, e nunca descansa,
Som mínimo, bolhas, pequenas coisas,
detalhes de água na areia,

Som do mar. Grande.
Imenso, impensável,
Incogniscível.

Há cores no som do mar.
Há branco e verde nas ondas e seus gritos para as pedras,
água que desafia as pedras,
desde o início de tudo,

águas suaves, que moeram pedras através do tempo,
Formando toda terra e areia do mundo,

sólido.
Grão.

E há vida no som do mar,
Milhares de seres em uma gota,
minúscula, microscópica, infinita.

Há um oceano por gota de oceano.

E peixes enormes, vagarosos, deslizantes,
despreocupados. E seu canto.

Canto de peixe, Voz do silêncio, do som na água do som do mar.

Do som do mar que possui os mistérios do vento,
vento do qual nunca sabemos sobre seu futuro,
seu destino incerto, livre a cada segundo,
ágil,


onde uma pena de albatroz, 
se solta. E vai livre de intensão.

Vento que move a superfície da água,
Em noites claras,
espelho falso, onde o céu se olha,
e vê matizes de mil cores, orla noturna,
Espelho das estrelas, luas e planetas,

Espelho do sol, força impensável,
e sua luz, fogo que anda através do infinito
e clarifica a água,
dá vida às cidades dos corais,

Algas que dançam um balé ao dia,
dançam com a serenidade das profundezas iluminadas,

Ah! som do mar, música que nunca envelhece,
música que nunca se repete,
há milhões de anos compondo,
música que nunca pára,
que me dá fôlego para viver,

Som do Mar.

Canto que nunca morrerá,
Som do mar, voz de um deus de vida eterna.

Que segredos o mar te conta?

quinta-feira, outubro 09, 2008

Um pequeno mito

Criança é a libertação da liberdade
é a coragem inocente em ser o que é
voar à toa com os braços em asa
e chegar sujo de alegria em casa.

No travesseiro desejar mais que tudo o amanhã
cheio de praia, de pipa, de núvens vivas...
Porque o mundo é tão interessante
e curioso, e secreto, e mágico, tão inesperadamente bonito,
que antes só pode ter sido imaginado por uma criança.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Segredo de um dia chuvoso em São Paulo


Quer saber um segredo?
Tão vasto, tão vasto,
que põe minha alma em degredo?

Que vira os astros, os vira,
e infinitamente no firmamento os pira?

Que compõe música de água, chuva,
no interior do amor com vinhas de uva?

Ou na pele o suor do gelo, garoa,
que me enclausura num apê de tédio à toa?

São Paulo polui santamente, fumaça,
como derrama sobre nós a tua divina graça?

Tempestade de vinho, ácida meca,
ou flores amarelas num vento sapeca?

Ei-lo: tú és imenso, chão meu, sem face,
início ou fim, com raras amadas,
que nas esquinas da memória me armam ciladas...

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quinta-feira, janeiro 17, 2008

Conhecer-se


Conhecer mil coisas no mundo equivale a conhecer uma coisa sobre si próprio.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

O futuro está nos trópicos

Tenho pensado um bocado esses dias... Qual o papel da ecologia humana na minha vida? Qual é a minha idéia de ecologia humana e para que ela servirá? Perguntas que espero responder ao longo dos próximos anos. Os cientistas têm perguntas que levam anos para ser respondidas. Quiçá os filósofos... Esses passam a vida respondendo perguntas sem respostas. Admiro muito. Bom, mas pra mim, ainda fico com as que podem ser respondidas... Uma das certezas que tive sobre a ecologia humana é que ela deve estudar a relação da raça humana com os seres vivos e com o meio ambiente. Até aí nada de novo.

Entretanto, quando começamos a perguntar como integrar os seres humanos aos outros seres vivos e ao ambiente inorgânico surge um conceito chave nessa equação. COMUNIDADE.

É através da construção de comunidades sustentáveis que os seres humanos poderão tornar suas vidas ecologicamente corretas.Criar uma comunidade não é apenas juntar um monte de gente e fazer uma fogueira no centro. Montar uma comunidade envolve problemas de gerção de energia renovável (porque a vida não pára), garantir alimento para seus integrantes, produzido na terra, hidropônicamente ou ainda coletado na natureza e finalmente preencher as necessidades mentais do ser humano com produção de cultura. Isso envolve a ciência e a arte. Com essas coisas torna-se possível viver. E a ecologia humana precisa encontrar respostas pontuais para adptar as comunidades e torná-las sustentáveis.

Uma comunidade no deserto deve ser estruturada (com cálculos, estimativas de população e suas necessidades) de forma diferente de uma comunidade no interior do Brasil, ou ainda de uma comunidade urbana em Chicago. O ecólogo humano precisa trabalhar para encontrar soluções viáveis dentro de cada comunidade que ele estuda. A abordagem precisa ser multidisciplinar. Todas as ciências tem espaço para contribuir com idéias na construção de um mundo organizado em comunidades sustentáveis. A sustentabilidade está na integração com a natureza - a mais avançada tecnologia - e não na produção de uma vida artificial, como os países do norte há séculos vêem idealizando. Os ecólogos humanos tem a responsabilidade de planejar a construção de comunidades e interligar as diversas áreas do saber para o bem comum.